Quinta-feira, dia 3 de Dezembro de 2009. Segundo meteorologistas e especialistas, a maior quantidade de chuva numa única data desde 1999. E São Paulo foi condecorada como "a escolhida" para receber tal quantidade impressionante de água caindo dos céus. Mas, era também data de reunir três nomes da cena do Metal Nacional em um momento mais intimista promovido pelo Sesc Pompéia no chamado "Projeto 666".
O Projeto 666 consiste em colocar 3 bandas no palco, tocando por meia-hora (30 minutos apenas, isso mesmo!) para um público de até 800 pessoas. Funcionaria muito melhor se não tivéssemos sofrido com a chuva citada logo no início desta resenha. Atrapalhou e muito, inclusive os músicos. Em conversa antes do show com o exímio baixista da banda de Andre Matos, Luís Mariutti, me confessou que após a passagem de som, deixaram o Sesc e ao retornar ficaram presos no trânsito durante tanto tempo que, quando já estavam próximos do local do show, acabaram descendo e indo a pé sob chuva pois do contrário não conseguiriam chegar a tempo.
Pontualmente às 21:00h entrou no palco o Mindflow, com seu progressive metal muito bem executado. Como é bom contar com músicos desta classe ainda dando as graças nos palcos nacionais. Infelizmente, o público ainda estava tentando chegar então foi o show mais vazio da noite, com um certo público que ficou em torno de 200 pessoas tentando agitar as músicas. Foram cerca de 6 músicas tocadas, com destaque para a "cozinha" formada pelo baterista Rafael Pensado e o baixista Ricardo Winandy. Algumas músicas pediam uma participação mais intensa do guitarrista Rodrigo Hidalgo que além da técnica, demonstrou um ótimo feeling para inflamar o público junto do vocalista Danilo Herbert que além de cantar ótimamente procurava também estar em contato a todo tempo com os fãs presentes.
Já é a segunda vez que confiro um show do Mindflow, dessa vez a tour é para divulgação do último trabalho, "365", que obteve uma proposta inovadora mais uma vez por parte destes 4 jovens músicos ao iniciar o lançamento de uma música a cada mês do ano, totalizando as 12 canções que compõem este trabalho. Com garantia de que funcionaram muito bem ao vivo, é muito bem recomendado!
Em seguida, pontualmente às 21:35h, entrou no palco o Hangar, banda ‘liderada’ pelo baterista ex-Angra, Aquiles "Polvo" Priester, com a música que abre o novo disco, Infallible (2009), chamada The Infallible Emperor (1956). Basicamente, ela consegue demonstrar que a pegada da banda continua a mesma: Nando Mello (baixo) e Aquiles (bateria) seguram as pontas na parte rápida e grave da banda, enquanto Fábio Laguna (teclado) e Eduardo Martinez debulham seus talentos nos respectivos instrumentos. E o mais interessante deste show, foi sem dúvida alguma, a apresentação do novo vocalista, Humberto Sobrinho, ex-Glory Opera, uma banda que superou todas as expectativas quando apareceu pro mundo. Agora, Humberto vem com a missão de substituir um mestre na arte do canto, Nando Fernandes, que deixou a banda após o final da última tour do álbum The Reason of Your Conviction (2007).
Humberto simplesmente arrasou neste show, assim como toda a banda. Foi um concerto de banda grande mesmo como a proposta dos caras deixa clara. Em seguida veio outra música do novo disco, chamada Some Light to Find my Way, sem deixar a peteca cair e o público amenizar a agitação. Este trabalho tem músicas como a que veio em seguida, Dreaming of Black Waves, que mostra uma parcela de melodia e refrão maravilhosos e que ao vivo foram extremamente bem executadas. Nem é preciso reafirmar que a banda estava impecável ao tocar também músicas dos trabalhos anteriores que vieram logo depois: Call me in the Name of Death, música que ganhou até videoclip quando lançada no disco de 2007. E a música título deste mesmo trabalho veio para não deixar a poeira baixar: The Reason of Your Conviction, ótima canção que dá toda liberdade para Aquiles Priester e sua trupe deixarem bem claras as evidências de que o Hangar não veio brincar em serviço!
E para fechar a meia-hora de porradaria, uma cover de Iron Maiden, cujo Aquiles é bastante fã: To Tame a Land do álbum Piece of Mind, de 1983. Com o saldo positivo de uma audiência enlouquecida agora na espera do último show da noite, do maestro Andre Matos e um outro não tão positivo assim que foi o pequeno incidente que ocorreu com o vocalista Humberto Sobrinho ao dar um pulo à lá David Lee Roth, mas que acabou torcendo o joelho. Mesmo assim, tanto os membros do Hangar quanto os do Mindflow ao final de seus concertos, ficaram entre os fãs autografando e tirando fotos, atendendo a cada um que solicitava atenção. Atitude louvável!
Com a missão de encerrar a noite em grande estilo, veio ao palco por volta de 22:10h, Andre Matos e banda, para apresentar finalmente ao público paulista de forma oficial seu mais recente trabalho lançado: Mentalize (2009). Um álbum que ainda divide opiniões mas que sem dúvida, não deixa de lado a característica de ter canções incríveis ao que são propostas. Antes do início do show, tive a oportunidade de conversar com os integrantes da banda e, apesar dos problemas causados pela chuva naquele dia, tanto o guitarrista prestes a se tornar papai, Hugo Mariutti (Parabéns mais uma vez!), quanto seu irmão, o baixista já papai, Luís Mariutti, estavam bem contentes com a oportunidade de conseguir dar um gostinho ao público paulistano de algumas músicas do novo trabalho. Já o baterista Eloy Casagrande, o monstro dos palcos (como toca!), confessou que iriam ter inclusive algumas surpresas para o show daquela noite.
Nada melhor do que então iniciar o show com a música que abre o novo trabalho, chamada Leading On. Ela tem um "quê" de música diferenciada, porque não vai no clichê de ser rápida melódica, mas é possui uma batida única, quebrada e que evolui conforme vão se entrosando os instrumentos. Inicialmente com Eloy e Fábio Ribeiro (teclado) no palco, juntaram-se Hugo e André ‘Zaza’ Hernandes, tal qual Luís Mariutti com seu baixo de estimação para dar início ao show. Finalmente, aparece Andre Matos no palco do Sesc Pompéia deixando os fãs aglomerados o mais próximo possível do palco não contendo a emoção de ver o ídolo tão de perto.
A música funcionou muito bem ao vivo, tal qual a que veio em seguida, inclusive aclamada pelos fãs como a melhor do novo cd: I Will Return. Com seu refrão meloso, fácil de guardar e uma harmonia extremamente melodiosa, Andre demonstrou que continua mandando muito bem tanto no estúdio quanto ali, em cima do palco. Uma pausa para cumprimentar os fãs, e a faixa-título do disco, Mentalize, que vem para esquentar os ânimos com sua batida forte e as guitarras chamando muita atenção nesta parte do show. Hugo e Zaza realmente funcionam juntos! Tal qual demonstraram na música seguinte, uma quase-balada, chamada Back to You, também do novo disco. Andre Matos deu um verdadeiro show nesta representação ao vivo. É impressionante a capacidade de levar o publico ao delírio mesmo com uma música mais calma.
Sem deixar o clima baixar, uma música rápida e essa sim, clichêzão do novo cd, Powerstream continua enlouquecendo os fãs. Particularmente, não é das que eu mais gostei em estúdio, mas ao vivo o refrão ficou maravilhoso. Andre então se junta ao tecladista Fábio Ribeiro para um momento "a sós" mais calmo da noite. Começam pela primeira vez ao vivo, a tocar a canção A Lapse in Time, uma belíssima composição de Andre e Fábio, em conjunto. Ao vivo com certeza deixou clara a emoção que o vocalista sente ao apresentá-la. Infelizmente, nem tudo são flores.
Certas pausas que existem entre as músicas e mesmo entre um refrão e outro nesta canção, um certo aglomerado de acéfalos começou a gritar "Carry On". É melhor não comentar, mas já fui a tantos shows em que Andre esteve presente e em absolutamente TODOS que ele participa, sempre tem alguém fazendo isso. É tão... É tão irritante que é melhor ficar quieto mesmo! Mas, fica a dica para quem pretende frequentar shows do Sr. Matos e companheiros ou quando for vê-lo em alguma participação especial, NÃO fique fazendo isso. É desrespeitoso com o artista que está tentando dar o melhor de sua performance e, há tanto tempo tenta dar o seu máximo mesmo que isso siga acontecendo.
Passado o momento "chato e deselegante" da noite, Andre finaliza a calma música piano-voz, e inicia How Long (Unleashed Way), do primeiro trabalho solo lançado em 2007, Time to Be Free. Esta versão ao vivo consagrou o garoto Eloy numa noite inspirada como sempre e deixou visível o problema técnico que ocorreu durante todo o tempo com o equipamento do guitarrista Andre Hernandes, inclusive iniciando a música sem conseguir tocar. Como sempre, é para fechar com chave de ouro e Andre Matos consegue facilmente. Impondo sua voz, seu jeito único de cantar e atrair o público, contando com músicos que tornam tudo muito mais fácil, o concerto foi finalizado em alto e bom escalão.
O clima entre os músicos era tão bom, que num determinado clímax do próprio Andre Matos, ele pegou o pedestal do Splash (um dos pratos da bateria de Eloy) e ficou segurando logo na sua frente para que o garoto pudesse ficar estraçalhando o pobre coitado. Uma cena curiosa e engraçada! Assim como às vezes ele se enrolava com o pedestal do microfone e acabou ficando irritado inclusive uma certa hora com os fios e chutou tudo! Nada como ter roadies à disposição...
E assim como as outras duas bandas, Andre e Cia ainda atenderam alguns fãs que os aguardavam na parte de fora do Sesc, com destaque para Fábio Ribeiro, Hugo e Andre Hernandes que foram até a parte de baixo atender aqueles que não conseguiram adentrar na área próxima ao camarim.
Carisma e sensação de dever cumprido falaram mais alto neste evento muito bem produzido pela equipe do Sesc Pompéia e as três bandas que juntas conseguiram dar alegrias à um quinta-feira que parecia tão desiludida já para o povo paulistano. Uma estrutura invejável disponível para público e músicos e uma qualidade de som que bate muita casa grande de shows. Agradecimentos especiais à Marcia Stival (responsável pelo Mindflow), Roberta (responsável pelo Sesc) e Roberta (responsável pelo Andre), além do sempre presente Toninho, segurança do Andre que com seu jeitão venceu um grande susto ano passado e está junto com a banda por aí novamente!
Agora é só aguardar os próximos shows na cidade de São Paulo. E que sejam em breve!
ÁLBUM DE FOTOS
Set List Hangar:
The Infallible Emperor (1956)
Some Light to FInd my Way
Dreaming of Black Waves
Call me in the Name of Death
The Reason of Your Conviction
To tame a land (Iron Maiden cover)
Set List Andre Matos:
Leading On
I Will Return
Mentalize
Back To You
Powerstream
A Lapse in Time
How Long (Unleashead Way)