Por: Edu The Great
Provavelmente pouquíssimos presentes na noite de 09 de Agosto de 2009 já haviam visitado O Carioca Club em São Paulo anteriormente; Isso se deve porque a casa normalmente recebe apenas a companhia afável de duplas e cantores sertanejos ou grupos de pagode e samba; Ao que muitos olhariam de forma desagradável ao local de fácil acesso por esses antecedentes, garanto que foi devidamente aprovado com os três shows apresentados durante a noite, iniciado com a banda brasileira Chimerah quase que pontualmente às 19h00minhs.
Particularmente desconhecia o trabalho destes 5 rapazes de Guarulhos/SP, liderados pelo vocalista Diogo Nunes de apenas 19 anos (e que falhou na hora de apresentar os membros da banda, esquecendo o sobrenome dos irmãos Bruno Santos (Guitar) e Felipe Santos (Bass). O grupo está com um novo EP (Infection - 2009) e, utilizando desse meio foram ao extremo no quesito habilidade com instrumentos. A apresentação foi marcada por gritos de "Sinner" ao longo das pausas entre algumas músicas, mas os jovens (o mais 'velho' do grupo possui 32 anos, o exímio guitarrista Rogério Oliveira) não se perderam em momento algum e prosseguiram com um show coeso e preciso em cada nota apresentada. Com um set-list de apenas 7 músicas em 36 minutos devido o curto tempo direcionado à abertura da abertura (!!!), após tocarem alguns sons próprios que deram uma aquecida no público, finalizaram com um cover no mínimo curioso de Last in Line do magnânimo Ronnie James Dio. Vale ressaltar que o baterista Marcelo Toselli teve sua considerável participação nesta última e em todo o show. Com uma inigualável chance como essa de abrir o show de uma das maiores bandas de Heavy Metal da cena atual, o Chimerah mostrou que tem muita estrada pra queimar se tiver fôlego!
Chimerah set list:
1-Hate
2-Infection
3-Angel Liar
4-Holy Orders
5-Nightmare Pharao
6-Broken Dreams
7-Last in Line (Cover - DIO)
Depois de finalizado o primeiro show, fui dar uma conferida pela redondeza da casa. Um local extremamente amplo, com um espaço gostoso para permanecer na pista e um camarote que dá a volta por toda a parte superior do local, sem deixar que se perca visão do palco em momento algum. O palco, inclusive, é baixo, mas permanece numa altura que não prejudica quem estão muito atrás na pista ou muito à frente. Em suma, é uma excelente altura! Aliás, em suma: é uma excelente casa! Desejo que consigam reservar mais shows nesse novo local para as noites de rock n’ roll já que saturou de ter de seguir a locais inacessíveis até pra quem mora perto destes locais inacessíveis de São Paulo!
Pela primeira vez no Brasil, desembarcava o Sinner, grupo de heavy metal liderado pelo baixista do Primal Fear, Mat Sinner e seus comparsas que, com muito entusiasmo executaram um hard n’ heavy maravilhoso no palco d’O Carioca. Por volta das 20h00minhs entraram no palco os guitarristas Henny Wolter (que mais tarde retornaria ao palco junto à Mat com o Primal Fear) e Tom Naumman, cuja apresentação merece extremo destaque, pois a cada solo era praticamente um duelo entre a base e quem estava solando, e vice-versa - uma troca que realmente funcionou! - acompanhados pelo baterista Klaus Sperling (que já foi dono das baquetas do Primal outrora) e claro, do baixista e naquele instante vocalista, Mat Sinner. O início dessa performance foi um tanto quanto estranha para os presentes que não estão acostumados a ver Mat como o frontman, mas ainda assim, o experiente músico soube tomar conta daquele palco como ninguém. Músicas que tomam uma forma rock n’ roll simples e complexa ao mesmo tempo em que músicos empenhados em entreter seu público atingem esse objetivo com facilidade. Como disse anteriormente, os guitarristas dão um show em músicas como "Knife in my heart" e "Judgemente Day", onde o que prevalece é a arte de manter os fãs vidrados no quesito "tocar com facilidade". Muita gente ali dentro não sabia cantarolar as músicas perfeitamente, mas, via-se em todo canto cabeludos se divertindo com aquele som novo e ótimo aos ouvidos de quem gosta. Ao que se seguiu um show muito bem executado, com direito à apresentação da banda e brincadeirinhas com o público brasileiro na música originalmente chamada de "Germany Rocks", onde Mat garante que a criou em menção ao público brasileiro, e então chega a hora de rivalizar Brasil e Argentina, São Paulo e Buenos Aires, e dar aquela bajulada máster ao alterar o refrão para "São Paulo rocks!". Sensacional! E pra fechar, é claro que nada como um cover do inegável Billy Idol e o clássico "Rebel Yell", cantada em uníssono por todos os presentes.
Vale mencionar que foi algo muito bom de reparar que, não houve molecada chata bêbada e arrumando encrenca nesse show. Apenas pessoas que estavam ali para apreciar um ótimo dia de rock n’ roll. E fim de papo!
Terminado o show, era hora de todos darem uma descansada para o Primal entrar no palco em seguida, principalmente Mat Sinner e Henny Wolter que tornariam a tomar a frente logo mais.
O Primal Fear é a típica banda que você ouve e automaticamente diz: "Hey, eles são muito bons! Mas parece muito com Judas Priest!". Tá. E daí? A banda foi formada em meados de 1997 quando Mat Sinner se junto a Ralf Scheepers, então recém saído do Gamma Ray e que pensava em encerrar a carreira já que não havia conseguido entrar no... Judas Priest!!! Quando lançou o début em 1998 a banda iniciou sua trajetória de crescimento e, nos últimos anos lançou pelo menos 3 discos que faço questão de ouvir com freqüência (Seven Seals - 2005; New Religion - 2007; 16.6 (Before The Devil Knows You’re Dead) - 2009). A turnê em questão é exatamente sobre este último lançado e que, provavelmente, é um dos melhores lançamentos de 2009.
O álbum é direto. É pesado e tenso. É bruto e agressivo. Mas também agrada a quem quiser entender que Primal Fear é Primal Fear e ponto final.
O show se deu início com a intro "Before the Devil Knows You're Dead" e em seguida a nova "Under the Radar" que sem parar a porradaria já foi emendada com "Battalions of Hate". Nesse início já deu pra perceber que os alemães vieram dispostos a detonar tudo! E mais especificamente podemos citar o vocalista impecavelmente vestido e produzido Ralf Scheepers. Uma curiosidade para citar agora que já o mencionamos em cima do palco: Ao chegar fui junto ao cinegrafista da noite, o excelente Patrick Korb, "visitar" o camarim dos caras. Eis que ao chegarmos ao andar de cima, onde fica o acesso aos camarins, me deparei com Ralf pela primeira vez. Este sempre muito educado cumprimentou e seguiu adiante. Numa segunda vez, enquanto rolava o show do Sinner e fui beber um pouco de água, me encontrei novamente com o Sr. Scheepers que agora se encaminhava ao banheiro e, enquanto bebia minha H2O comecei a ouvir como o cara aquece a voz: Berros, gritos e mais berros e gritos extremamente altos e afinados! Mas eram tão altos que, o palco estava exatamente atrás da parede onde fica o galão d’água, e eu conseguia ouvir o banheiro a uns 5 metros dali com a voz mais alta do que o som do show! Era incrível, mas o cara realmente usa um potencial fenomenal durante todo o show. Não pára, bate palmas, anima o público, dá uns gritinhos para "chamar atenção" muitas vezes em solos e tal, mas o que mais fiquei impressionado é a capacidade de ser educado com todos. Sempre que alguém passava lá perto do camarim e ele estava do lado de fora, cumprimentava mesmo que só acenando com a cabeça ou estendendo a mão; E o fato mais belo de todos foi quando deu a pausa para a entrada da quarta música do show, ele foi beber um pouco de água ao lado do palco e um roadie lá da casa mesmo lhe ofereceu o copo. Ralf bebeu em um gole só, procurou o rapaz, lhe devolveu o copo sorrindo e soltou um sonoro: "Thank you very much!" (ou "Muito obrigado!"). Poucos conseguem agir com simplicidade e carisma a todo o momento e este frontman carrega dentro de si essa característica. Não somente canta bem como poucos e arrisca uma voz aguda e potente ao mesmo tempo em que consegue ser agressivo e infalivelmente querido por todos que o encontraram durante o tempo que permaneceu no bar.
O show prosseguiu com a melhor música do novo álbum: "Killbound". Que som! Ao vivo então deu um ar totalmente jovial aos músicos, especialmente no caso da cozinha dessa música muito bem executada por Mat Sinner (já recuperado do show prévio) e o baterista Randy Black, outro que sabe o que faz com a baqueta nas mãos e, como sabe! "Nuclear Fire" vem em seguida após uma parada para cumprimentar e agradecer o público pelo carinho dedicado à banda em mais um retorno à América do Sul e claro, ao Brasil como sempre. Em seguida um dos singles mais legais que foram lançados nos últimos tempos, sem dúvida alguma: "Six Times Dead (16.6)". Essa música é uma daquelas que você ouve uma vez quando compra o disco novo, daí coloca no repeat e esquece que só ela está tocando de tão gostosa que seu refrão se torna! Adorei vê-la executada ao vivo, com destaque máximo para Ralf e a dupla de guitarristas Henny Wolter e Alex Beyrodt que demonstraram uma boa memória para realizar as bases e solos quase que idênticas ao gravado no cd. "Angel in Black" quebra tudo mais uma vez, levantando o público que seguia dando um show à parte. Para dar uma quebrada em tanta loucura, vem um solo de bateria do insano Randy Black e, com um playback iniciando a música título do álbum de 2005: "Seven Seals", outro single que entra facilmente num top 10 das melhores do Primal. "Sign of Fear" e a épica "Fighting the Darkness" demonstram que os caras conseguem fazer um heavy metal com estilo, isto é, misturam o bom e velho rock n’ roll com uma pegada agressiva maravilhosa!
Após uma dupla cansativa emendada, vem um claro solo de guitarra feito para encenar o descanso alheio e, já com algumas boas latinhas de cerveja e uns goles de champagne, a banda retorna ao palco para "Riding the Eagle", mais uma porrada em que Ralf dá um show do início ao fim. "Final Embrace" e "Metal is Forever" dão a cara de final de espetáculo já que no set habitual da Europa estas duas eram as últimas, e neste ponto é interessante citar como o povo brasileiro se dedica aos berros de "Yeah!" durante os shows dos gringos por aqui. Se o cara fala: "Vocês são demais! O melhor público de todo o mundo!" - respondem: "Yeah!"; Se o cara pergunta: "Vocês gostam de Heavy Metal ou de Pagode?" - responde: "Yeah!". E foi o caso da "Metal is Forever" quando Ralf e Mat perguntaram algumas vezes: "Vocês preferem Heavy Metal? Ou vocês querem ouvir algo lento?" - "Yeah! Yeah!" - Povo indeciso...
Mas enfim, acabadas estas duas, as luzes não se acenderam nem a cortina se fechou, sinal de que teríamos mais ainda por vir. E exatamente com um som do novo disco, "Hands of Time" num formato quase-acústico já que no disco ela é totalmente acústica deu um toque ainda mais especial a esse show. Tocada e cantada quase que por todos e quem não a conhecia questionou o nome para poder procurar na discografia da banda - ou seja, se você não tinha idéia se iria gostar, com certeza não se arrependeu!
Para o gran finale os caras separaram duas músicas que traduziram muito bem o clima desta noite de domingão: "Running in the Dust" foi uma surpresa por si só. Haviam alguns fãs pedindo por ela durante todo o show, e como não estava entrando nos shows anteriormente, seria difícil tocá-la, mas deram este presente e foi ótimo! Ralf arrebentou! Mat então é um caso a parte - que pique! - o cara toca com vontade, com amor ao que faz e é perceptível porque fica pra lá e pra cá, canta, se mexe e isso faz com que os guitarristas se inflamem também e principalmente Henny que a todo o momento dava piruetas, corria em torno de si mesmo e jogava a guitarra para um lado enquanto tentava se mover para o outro. E reservando o extremo para o final, "Chainbreaker" mata a pau qualquer resíduo de "será que acabou?" que ainda restava; Ralf cantando e detonando assim como todos os outros, movidos principalmente por Randy que finalizou a música umas 5 vezes pelo menos até que desligassem as guitarras e ele parasse de detonar seus pratos de ataque na bateria!
Com certeza uma noite aprazível e que valeu muito a pena ter conferido. O Primal como sempre é ótimo de se ver já que possui talento nos músicos e nas composições (e na escolha do set-list, sem dúvida!); Já o Sinner foi uma surpresa agradabilíssima para a maioria que não conhecia tanto, como no meu caso. Foi tão bom que já corri atrás para conseguir minhas cópias dos discos, principalmente do último lançado "Crash and Burn" e recomendo a todos! E o Chimerah que está começando, mas tem muito gás ainda se tiver paciência e persistência para seguir em frente nessa árdua batalha da música.
Parabéns a todos, principalmente ao Carioca Club e a quem escolheu esse maravilhoso local para realizar o show. E que possam ter muitos ainda por lá, pois vale a pena!
ÁLBUM DE FOTOS
1. Before the Devil Knows You're Dead (Intro)
2. Under the Radar
3. Batallions of Hate
4. Killbound
5. Nuclear Fire
6. Six Times Dead (16.6)
7. Angel in Black
8. Drum Solo
9. Seven Seals
10. Sign Of Fear
11. Fighting the Darkness
12. Guitar Solo
13. Riding the Eagle
14. Final Embrace
15. Metal is Forever
---Encore---
16. Hands Of Time
17. Running In The Dust
18. Chainbreaker