Texto: Edu The Great
Fotos: Danielle Feltrin
15 de Fevereiro de 2009, mais um domingo quente no Credicard Hall, diga-se de passagem é a casa de shows mais fora de mão já criada no estado de São Paulo. É incrível, mas consegue ser cada show mais distante ainda! A opção desse domingo era muito atraente: Tobias Sammet (Vocal), Jens Ludwig (Lead Guitar), Dirk Sauer (Rhythm Guitar), Tobias Exxel (Bass) e Felix Bohnke (Drums), ou apenas Edguy. Uma banda sorridente e alegre, que faz música da melhor qualidade no estúdio e manda muitíssimo bem ao vivo e, com propriedade posso afirmar isso pois já este foi o segundo show para o qual me direcionei dos caras e realmente são ferozes no que se propõem a fazer: dar o melhor para serem os melhores.
A banda vem pela turnê atual do último disco lançado Tinnitus Sanctus (2008), onde resolveram fazer um disco bem menos atraente do que o anterior Rocket Ride que era uma bela mistura de AOR com Hard Rock e uma pitada estranha de Heavy Metal. Neste último disco então apostaram num trabalho mais direto, com letras muito bem trabalhadas e críticas em geral sendo que para quem pôde conferir já pela capa do disco (que mostra nada mais nada menos do que Jesus Cristo sangrando pelas orelhas numa posição clara de sofrimento...) à Igreja e seus afins. A julgar apenas pelo show, vamos ao que interessa. Antes de começar, só deixando claro que particularmente esse disco não me agradou por completo, na realidade, gostei de poucas músicas.
Bem, o show como sempre começa com uma nova música que tem um estilo de "levantar a galera". Sem delongas ou "Welcome to the freak show", Dead or Rock vem com os músicos animados (pra variar!) e sorridentes. Lá do chiqueirinho (a famosa área onde os fotógrafos ficam e consegui me infiltrar desta vez...) é possível conferir que eles realmente ficam sorrindo super excitados em ver aquele público indo à loucura com suas músicas. É uma boa música, empolga para seguir com uma música longa e muito bem trabalhada: Speedhoven. É um protótipo de clássico, uma ótima música. Em seguida uma pausa para Tobias falar “du caralio!”, frase sagrada que aprendeu com Andre Matos no show do Avantasia apesar de não fazer idéia do que significa (se é que significa algo de verdade!) e emendarem um clássico que soa maravilhoso ao vivo a cada show que presencio: Tears of a Mandrake. Música sensacional, com direito a solos muito bem trabalhados e executados por ambos os guitarristas. É interessante citar que enquanto estive lá na frente, pude presenciar que os caras não se mistura muito durante o show, o Tobias não pára quieto um segundo e está cantando melhor ainda do que no concerto do Avantasia em Junho passado e, sem deixar de lado jamais, o grandioso baterista Felix Bohnke que é um show à parte e comentarei posteriormente a imensidão de alegria que esse cidadão me garantiu nesta fatídica noite. Após um clássico, cansaram à todos com mais uma bomba: Babylon. Uma rápida e louca música, mais uma da série que merece ser tocada em todos os shows. Continua soando muito bem, assim como a longa The Pharaoh. Esta é um caso a parte. Que música genial ao vivo! Em estúdio não me chama atenção, mas ali com os caras soando tão ensaiadinhos e a música sendo curtida por todos sem exceção. Deve-se fazer menção já neste ponto do show ao som do Credicard Hall. A casa é distante? Não tenha dúvida. É um caos pra ir embora de lá? Não tenha dúvida.
Mas que som! O Via Funchal no show do Queen caprichou no volume, porém a equalização de lá é péssima. O Credicard conseguiu aprimorar demais esse quesito sonoridade e nesta música, The Pharaoh determinou que a música ficasse incrivelmente gostosa de se ouvir e prestar atenção em cada acorde. Após essa épica com a banda endireitada e animando as quase 2 mil pessoas presentes, Tobias anuncia a próxima a ser tocada, no caso, a melhor do novo álbum chamada Ministry of Saints. Inclusive, apontando para o céu, diz que é sobre “aquele porra lá de cima”. Polêmicas à parte, como é boa essa canção! Os caras montam a música para tocar ao vivo, só pode ser! Se no cd já era boa, ao vivo então conquista qualquer um que ainda tinha dúvidas. Ministry of Saints é uma música maravilhosa porque muda o clima a todo instante e tem um refrão típico de música-sucesso. Em seguida Vain Glory Opera, uma música que pra quem conhece Edguy sabe que sempre vai ser legal vê-la sendo tocada ao vivo. Continua sendo um intenso momento do show porque anima a todos com aquele tecladinho safado! Sem dúvida, um ponto alto do show. Em seguida vem "O" momento do senhor Felix. O baterista que me fez quase derrubar lágrimas de tão genial que foi ver o início do solo ao som da melhor trilha sonora já composta na história do cinema: Piratas do Caribe. Simplesmente "O" cara pegou e mesclou partes da trilha dos três filmes da série do Piratas e acompanha com os bumbos, surdos, tons, pratos e caixa. Pense num espectador que se emocionou com um solo. Pense em Edu The Great, eu mesmo! Assumo que foi a coisa mais linda e genial que já vi fazerem num solo. (Para quem quiser confirmar tudo que eu disse: www.youtube.com/watch?v=y8x3ljIp4rY&feature=related)
Após esse surto emocionante, vem a parte chata e normal do solo onde fica batucando como qualquer outro baterista que se preze. Em seguida uma música que particularmente achei bem chatinha no estúdio e ao vivo não modificou muito, apesar do refrão ter soado até que legal: The Pride of Creation. Dava pra ter colocado uma do Rocket ou do Hellfire no lugar mas tudo bem, assim que acabou a música Tobias novamente presenteia o público com seu português acirrado e a frase do sécul: "Do Caralio". Ele sorri, brinca e continua sem saber o que está dizendo. Em seguida uma música lá do início da banda, do álbum Theater of Salvation, chamada Headless Game. Uma ótima música, continua soando muito boa e, é marcada porque antes de iniciar a música o engraçadão e comediante Tobias Sammet questiona se o público conhece a banda Hammerfall e ao dizerem que sim ele emenda afirmando que não importa pois a música é do Edguy mesmo... Piadas à parte também, ao final desta Tobias novamente volta com seu bom humor e faz propostas digamos... indecentes às mulheres presentes perguntando quais gostariam de ter uma "noite de amor" com o próprio e oferece aos homens o baterista Felix (diz que ele é gay porém gente boa. Tá!). A baladinha que segue esse momento de amor é Save Me. Particularmente, uma excelente balada que se tornou um marco para a banda e já corre na segunda tour seguida sem sair um show sequer do set. E depois mais uma do Rocket Ride: Superheroes, que é mais uma da série "músicas engraçadonas" do Edguy. É ótima, tem a cara de música-sucesso também e todos gostam e cantam. Música perfeita para shows assim e ainda dedicada ao povo brasileiro, verdadeiros Super-heróis! Uma pausa e a volta para o bis é com um pedido de Tobias para que o público seja mais enfático ao pedir que eles voltem ao palco para tocar mais músicas. E então são atendidos e voltam arrebentando com mais uma do novo disco, Nine Lives. É boa mas poderia ser uma escolha melhor para voltar no bis do show. E aí sim vem o ponto mais alto do show (tirando claro o início do solo de batera): uma brincadeirinha que misturou batalha entre lado esquerdo e lado direito para ver quem é o mais barulhento e claro, a velha rixa entre Brasil e Argentina. Já é de praxe virem aqui e fazerem isso mas é sempre legal reviver o lado Hermano dentro de cada um de nós. E vem Lavatory Love Machine, A Música do Edguy. Se não for a melhor da banda foi a melhor do show. Que puta música animada, engraçada e fiel à alegria de ver uma banda entrosada e feliz em tocar ao mesmo tempo. Ao fim de Lavatory, antes da última música um belo discurso de 4 minutos do Sr. "Dono do Show" (mais uma brincadeirinha de Tobias ao dizer para se calarem enquanto ele falava pois o show era dele...) informando que quiseram fazer a banda cancelar a tour só porque Kiss, Iron Maiden e Metallica farão seus shows por aqui também. É compreensivo que bandas maiores como essas três se sobressaiam em relação à bandas menores como Edguy, mas os caras aceitarem esse "desafio" de vir e não se importar foi realmente crucial para bater palmas o mais alto possível. Merecido pois mais uma vez, Edguy mostrou que vem e faz o melhor. Parabéns! E por fim então, depois de um discurso bonito e verdadeiramente honesto, vem King of Fools, indicada à todas as bandas que cancelam seus shows por aqui só porque outras bandas maiores vem ou segundo Mr. Sammet, para todos aqueles que não foram ao show e se arrependerão. King of Fools, outra música do Hellfire Club que é inteiramente simples porém não se cansa de ouvir! É grandiosa pois finaliza o show da mesma forma animada e muito bem ensaiada. Novamente o som da casa ajudou a ter um final apoteótico, uma música ótima com uma banda excelente. E então, agradecem e saem sorrindo da mesma forma que entraram. Em suma, um show nota dez em qualidade, quantidade e suporte (tanto da parte de iluminação quanto de som da casa).
A banda com certeza pode melhorar o set list baseado no que tem para oferecer ao público mas não deixam a desejar. São demais!
Parabéns ao Edguy, parabéns ao público e claro, obrigado ao Felipe pela oportunidade de estarmos lá para cobrir esse show!
Nos vemos na próxima!
ÁLBUM DE FOTOS
Set list:
Dead Or Rock
Speedhoven
Tears of a Mandrake
Babylon
The Pharaoh
Ministry of Saints
Vain Glory Opera
Drums Solo
Pride of Creation
The Headless Game
Save me
Superheroes
Nine Lives
Lavatory Love Machine
King of Fools