Conversamos com a banda santista DRIVE-V, formada por: Cristopher, Nando, Vini, Marinho e Denis, na entrevista eles contam sobre a trajetória da banda e como foi o processo de gravação do novo CD "Todos nós somos estranhos". Vale a pena converir:
Ponto ZerØ - Vamos começar falando sobre o CD "Todos nós somos estranhos", como rolou o processo de gravação?
Nando: Esse disco é um apanhado de tudo o que fizemos desde 2003, quando começou a banda. Foram quase 40 músicas, algumas mudanças de integrantes na banda e quisemos preservar o que realmente nos identificaria. Temos gravações feitas em 2003 como “Meu Sol” e “Todos iguais”, por exemplo.
Todas as músicas foram gravadas aqui em Santos mesmo, no estúdio que gerencio, que é o PLAYREC STUDIOS, ou seja, tudo em casa. Algumas faixas foram produzidas pelo Carlo Bartolini, com quem já tínhamos trabalhado anteriormente e a maioria foi produzida por Thomas Gruetzmacher, com quem também já tínhamos trabalhado antes.
Ponto ZerØ - As músicas do disco falam sobre amor e ódio, de onde vocês tiraram inspiração para as composições?
Cristopher: Nesse trabalho que estamos lançando agora, as letras foram feitas mais por mim e pelo Nando. Particularmente, quando penso em uma letra, tento passar algo que sinto ou já vivenciei de alguma forma. Experiências, indignações, política ou até mesmo quando falo de amor, tento expressar uma parada verdadeira. Não consigo escrever no que não acredito.
PØ - Como está sendo a aceitação do disco por fãs e pela mídia?
Cristopher: Ainda tivemos pouco tempo pra avaliar, o disco realmente acabou de sair do forno, mas por enquanto, posso dizer que o feedback está muito bom. Desde os comentários no orkut, myspace e site até a reação da galera nos shows e pessoas ligadas ao meio musical, como produtores e camaradas de outras bandas. Muitas pessoas já cantam as músicas de cor, o que me parece um sinal de identificação. Comparado ao nosso último trabalho, que foi o cd da nossa banda anterior, o Cajamanga, o alcance ainda está bem menor, mas proporcionalmente, a aceitação está bem maior.
PØ - Alem do vídeo que mostra trechos da gravação da faixa titulo do CD, vocês pretendem gravar outro Vídeo Clipes?
Nando: Sim. Temos a vantagem de ter na banda alguém com talento e equipamento pra produzir nosso material em vídeo, que é o Vini, baterista da banda.
Além desse vídeo, temos um ensaio inteiramente gravado e filmado no estúdio que futuramente poderá virar material promocional também.
Uma amostra disso é o ‘clipe’ da música “Recomeçar”, feito deste ensaio. Fora um demo-clipe que fizemos em 2004 da música “Envenenar”, que não está no disco, mas é um vídeo que gostamos muito.
Tudo isso da pra ver no youtube, basta digitar ‘banda drive v’, que entrarão os vídeos à disposição.
Preciso falar também que temos a sorte de poder contar com outros talentos incríveis, que nos ajudam na confecção de todo o material da banda, como Marcos Hermes, conceituadíssimo no meio, que faz as fotos e Guz Antelmi, que trampa na parte gráfica de site, capas e vídeos também.
PØ - O site da banda é repleto de informações interessantes, onde da pra baixar as letras e algumas músicas do novo CD, tem até um blog onde membros da banda deixam seus recados aos fãs. O que vocês acham dessa aproximação com os fãs, isso de alguma forma ajuda na divulgação do trabalho da banda?
Acho que sim. A internet hoje em dia é uma ferramenta indispensável. Há algum tempo atrás, a relação do fã com seu ídolo era mais fria e complicada, onde o contato maior era feito apenas nos shows. Hoje em dia a internet aproximou muito mais essa relação. A galera que curte o som tem a oportunidade de expor suas idéias, debatê-las e nos dar um feedback do nosso trabalho. Nos próximos meses vamos disponibilizar mais músicas para download e vamos atualizar o site, assim como escrever mais no blog, que ficou um pouco esquecido por causa de todo o processo de gravação do disco.
PØ - A banda foi formada em 2003 na cidade de Santos, de lá pra cá o que mudou no cenário Rock da Cidade, existem espaços bons para fazer shows?
Nando: De 2003 pra cá sinto que não mudou muito... continua difícil ter espaço pra tocar.
Já desde o começo da década de noventa, quando éramos moleques e estávamos começando a querer tocar, pra cá, a coisa piorou muito.
Digo isso porque naquela época existia espaço para todo tipo de som, desde samba, até todas as vertentes do rock... existiam várias bandas extremamente diferentes e todas tocavam juntas e se prestigiavam.
Hoje o circuito se limita à cena, que inteligentemente se manteve até hoje, do hardcore e que hoje traz os seus derivados como o emo, screemo, etc.
Mesmo assim é bem difícil, porque os espaços ainda existem e são legais, mas pouquíssimos abrem para bandas com som autoral. Tudo fica limitado a bandas que tocam covers... mas ao contrário do que muitos pensam, a culpa não é só dos donos das casas. Esse marasmo se deve principalmente porque hoje ninguém prestigia ninguém. Um cara de uma tribo se nega a ir no show de outras bandas e depois reclama da falta de público e de espaço pra tocar. É na verdade um raciocínio patético.
Porque é simples, quem vai abrir uma noite gastando luz, pagando funcionário pra 40, 50 pessoas entrarem no pico? Se todos fossem um no show do outro, todos encheriam e mais lugares se interessariam em promover a cena.
Tudo se resume ao desprestígio na minha opinião.
PØ - Alguns de vocês já participaram de grandes festivais como ROCK IN RIO III, qual a sensação de ter participado de um festival deste porte e qual a opinião de vocês sobre a realização do ROCK IN RIO em Lisboa?
Nós participamos do Rock in Rio III (2001) através do Escalada do Rock, que era um festival eliminatório onde oito bandas independentes teriam a oportunidade de se apresentar num dos palcos do evento. Sem dúvida foi a maior e mais emocionante experiência de show que tivemos. Tocamos para um público de 20 mil pessoas no último dia do evento, onde tocaram Red Hot Chili Peppers, Silverchair, Deftones, entre outras. Por causa desse show tivemos uma grande exposição na mídia, com participação em trilhas sonoras e várias aberturas de shows de bandas do mainstream. Sem dúvida uma época inesquecível.
Quanto ao festival, achei no mínimo esquisito, pelo menos no nome. “Rock in Rio Lisboa” é foda! Mas, é lógico, que se trata de uma “marca” que ficou conhecida no mundo inteiro. Achamos bacana, mas preferimos quando o evento acontece aqui no Brasil, pois, além de podermos ver as bandas de perto, ainda podemos tentar algum meio de conseguir fazer parte do festival.
PØ - O Brasil tem se tornado rota de grandes bandas e festivais, vocês acham que isso ajuda na divulgação de bandas brasileira?
Nando: Sempre é legal ter shows por aqui e acho que indiretamente o maior efeito é manter o costume da galera em sair de casa para ir a shows, por isso quanto mais, melhor.
Mas na verdade os festivais que mais fazem a diferença para uma banda, são os locais mesmo. E digo todos, desde os mais renomados como o Abril pro Rock, Mada, Porão do Rock, Maquinaria, etc até, e principalmente, os menores, de mais fácil acesso às bandas.
Esses são os impulsionadores de uma banda que está começando e que ainda está atrás do seu público.
PØ - Por falar em bandas brasileiras, vocês criaram um projeto chamado "ESPAÇO ROCKDRIVE" voltado para ajudar bandas independentes. Como estão rolando as coisas desse projeto?
Nando: É um projeto que queremos e devemos retomar, pois está parado desde a saída do último guitarrista da banda, o que culminou com o início do projeto desse cd que estamos lançando e que acabou conturbando um pouco os nossos planos nesse sentido.
Esse é um projeto que fizemos simplesmente pela vontade de tocar e fazer alguma coisa para contornar as dificuldades que já falamos na outra pergunta. Só reclamar não dá.
O intuito é misturar bandas e tendências, sempre junto com um tributo a alguém que pode unir as bandas, por mais diferentes que sejam, como por exemplo Black Sabbath, Suicidal Tendencies, Led Zeppelin, Ramones, etc.
Difícil não achar bandas que se identifiquem com sons assim e que possam se juntar e fazer algo legal.
PØ - Na opinião de vocês, quais bandas de Rock Nacional tem se destacado?
Nando: Eu particularmente sou admirador eterno dos meus conterrâneos do Garage Fuzz e que são um exemplo sim de quem pode viver tanto tempo fazendo o que acredita, com qualidade e atitude. Isso é que é destaque.
Fora isso vejo bandas legais, na verdade várias, mas as que mais me chamam a atenção são o Udora, de Minas Gerais e o Supergalo, uma mistura dos caras do Raimundos com o Rumbora. Aqui em Santos, o Mecanika, TH6, Container, Aliados...
PØ - Fora o DRIVE V, vocês participam de outros projetos relacionados com a música?
Cristopher: Posso dizer que sou um cara completamente ligado à música e tudo na minha vida está de alguma forma ligado a ela. Recentemente fiz parte de um tributo ao Stevie Wonder, que estará sendo lançado nos EUA em breve. Fui convidado para esse projeto pelo guitarrista Miguel Mega, que gravou junto comigo uma faixa desse CD. Entre outros músicos convidados estão Greg Howe, Frank Gambale, o próprio guitarrista da banda do Steve Maravilha,etc.... Um projeto bacana e que deu muito prazer em participar.
Outra coisa que costumo fazer bastante aqui na cidade de Santos é me juntar com amigos e tocar covers de bandas dos anos 70 que eu curto muito. Já fiz tributos ao Black Sabbath, Deep Purple e acabei de ser convidado para fazer o Judas Priest. Só não sei se dou conta...rsrs...
O Nando, como ele mesmo já disse, gerencia um estúdio com o Dênis e faz a produção e a gravação de bandas aqui da região. Além, é claro, de compor e gravar suas músicas instrumentais.
O Billi, novo baixista da banda, já toca há algum tempo com uma banda aqui da região chamada Via Santa.

PØ - E o DRIVE V, como anda a agenda de shows de vocês, tem alguma novidade para os fãs como gravação de DVD ou novo disco a vista?
Acabamos de gravar um disco. Acho que agora é a hora de trabalharmos esse material em shows. Estamos em processo de escolha da música de trabalho, para, posteriormente, fazermos um clipe oficial da banda. No site sempre há novos vídeos, seja de ensaios ou de shows.
Temos alguns shows marcados no sul agora em junho. Em julho vamos fazer alguns shows aqui na baixada santista e em agosto temos um show na cidade de Registro. Estamos sempre procurando novos lugares para tocar, mas como vocês bem sabem, nem sempre é muito fácil.
Maiores informações no site.
www.drivev.com.br -
www.myspace.com/drivev
PØ - Bom galera muito obrigado pela entrevista, nós do Ponto ZerØ desejamos muita sorte e sucesso a vocês. O espaço é de vocês:
Nando: Primeiro, muito obrigado pelo espaço e parabéns a todos que fazem rolar o Ponto Zero, que é um veículo irado pra quem curte rock. Informação e oportunidade juntos formam algo que está em falta nesse nosso mundinho.
E pra finalizar, prestigiem o rock! Senão ele adoece. Valeu!!
Cristopher: Obrigado ao Ponto Zero pela oportunidade e a gente se encontra por aí num show do Drive V. Força e paz a todos!