Por Letícia Okabayashi
Fotos por Irisbel Mello
Um dia de ver muitos músicos bons, relembrar os 'melhores tempos' do metal nacional, com muitos discursos sobre o estado do Metal Nacional e polêmica, mas também muita animação por parte dos presentes. Pouco mais de 15h a fila já virava a esquina da casa de shows Carioca Club, em Pinheiros, SP, muitas camisetas de bandas e ansiedade, afinal algumas das bandas do line up não fazem mais tantos shows quanto antes.

Já com algum atraso, a casa abriu por volta das 16h, e pontualmente às 16h30 as cortinas se abrem e sobe ao palco a banda liderada por Aquiles Priester, Hangar. Sendo recebidos calorosamente e ainda com algumas pessoas chegando, os músicos abriram o set com muita energia com "The Infallible Emperor (1956)" e "Some Light to Find My Way". No começo com o som meio embolado, o que foi logo resolvido no decorrer da primeira música. É bem notório o entrosamento da banda, e como eles sabem agitar o público. Fábio Laguna, mais solto, e principalmente o novo vocalista, André Leite, cantando todas as músicas com muita propriedade, uma voz realmente impressionante. Misturaram músicas do novo CD com músicas do "The Reason of Your Conviction", animando ainda mais a platéia com a poderosa "Hastiness", passando por "Forgive the Pain", Eduardo Martinez e Nando Mello indo mais perto do pessoal, levando à loucura os fãs mais apaixonados. Mais sonzeira com "The Reason of Your Conviction" e "Call Me in the Name of Death", que foi oferecida para o vocalista anterior, Nando Fernandes, que mais tarde retornaria a gentileza. Os músicos encerraram com a famosa e estrondosa "Painkiller" do Judas Priest, já deixando o público bem aquecido para as próximas atrações.

A próxima banda a subir ao palco foi a Illustria, com Tito Falaschi no baixo e nos vocais, juntamente com Clarissa Moraes (que canta e "encanta"), Pedro Migliacci e Gabriel Pierrot nas guitarras e Eric Claros na bateria. O time tocou algumas próprias de peso como "Screwed Up", "Mesmerized" e "Perfect Crime". Uma das bandas mais novas do festival, conseguiu mostrar muita garra e profissionalismo, vindo em breve com um CD novo que promete. Mandaram muito bem na "Eyes in Flames", cover do Symbols, consagrada por Tito e Edu Falaschi anos atrás. E pra fechar o set com chave de ouro, "Aces High" do Iron Maiden, que o público cantou junto, e a pesada composição própria "Into the Storm".

Novamente as cortinas se abrem e agora é a vez da Wizards, liderada por Christian Passos, mostrar seus sons, matar a saudade de 6 anos longe dos palcos. Mesmo com todo esse tempo, era possível ver pessoas cantando algumas músicas, com uma banda coesa e centrada, mandando ver nos riffs mais pesados, arrebentaram neste show de volta, tocando só músicas próprias, como as antigas "Thunderbolt" e "Freedom". A nova formação conta com Cadu Averbach na guitarra, Fernando Giovannetti no baixo, Charles Dalla no teclado e Gabriel Triani na bateria, muito bem entrosados. Infelizmente com um set pequeno, encerraram com a "Yeshua Netzaret", do CD mais recente The Black Knight.

Mesmo com o pequeno atraso, as equipes estavam se saindo muito bem nas montagens e fazendo o máximo para não atrasar mais ainda os companheiros. Às 19h30, a próxima é a banda nova de Nando Fernandes, chamada Forward, que contou com alguns fãs com camisetas da banda, já arrebentando de primeira com as covers "Perry Mason" do Ozzy, e "One More Chance", da época em que Nando era vocalista do Hangar e ofereceu aos ex-companheiros. Também foram inseridas no set músicas de autoria própria, que foram a "Fallen Angel" e "When the Sun Goes Down", onde Nando e suas performances se destacam bem a seu próprio estilo. Para fechar, nada mais nada menos do que uma cover de "Holy Diver", do lendário Dio, cantada em coro pelos presentes e deixando ainda mais animados para as últimas bandas da noite.

Todas as bandas ressaltaram a importância de estarem lá, e principalmente como o Metal Nacional é bom e deve ser valorizado. Com a casa agora comportando cerca de 400 pessoas entre pista e camarotes, as cortinas se abrem para a banda gaúcha Hibria, com Iuri Sanson nos vocais, Abel Camargo e Diego Kasper nas guitarras, Benhur Lima no baixo e Eduardo Baldo na bateria. A banda, muito lembrada por ter tocado no festival BMU em 2006, tirou muita gente do chão, tendo um show bombástico, abrindo com "Blind Ride", "Nonconforming Minds" e "Shoot me Down". Sem dúvidas desde algum tempo atrás o Hibria é uma banda consagrada no Metal Nacional, pois consegue carregar fãs de São Paulo mesmo não fazendo muitos shows aqui. Durante algumas músicas ocorreram microfonias constantes, o que pode ter tirado um pouco a atenção em algumas partes, mas não prejudicou a apresentação dos músicos, pois foi logo resolvido. Os gaúchos fecharam com as músicas "Blinded by Faith" e "Rotten Souls".

Às 21h30, quem finalmente sobe ao palco é a banda liderada por Edu Falaschi, Almah, contando com Felipe Andreoli no baixo, Marcelo Barbosa e Ian Bemolator (da banda Dark Avenger, substituindo o exímio Paulo Schroeber que está se recuperando de um problema cardíaco) nas guitarras e Marcelo Moreira na batera. Já começaram arrebentando com a primeira faixa do disco novo, Motion, com "Hypnotized". Edu começa a falar e vários queixos caem: "Era pra ter aqui no mínimo 2.000 pessoas, que ridículo! Estamos vendo a morte do Metal Nacional..." , entre outras frases polêmicas, continuam o curto set com "Living and Drifting", "Days of the New" e "Trace of Trait", bem conhecida pelo videoclipe. Mesmo embasbacado com as declarações do vocalista, o público gritava seu nome em apoio a elas e cantavam forte as músicas novas. O quinteto, muito bem entrosado, até ofereceu música ao guitarrista Paulo, que não pode estar presente (e por sinal o substituto está fazendo muito bem seu papel). Em "Zombies Dictator" foi chamado o vocalista Victor do Furia Inc, que agitou pra caramba o pessoal e deu um belo contraste à voz de Edu. As escolhidas dos álbuns antigos foram "King" e "Torn", esta última fechando com chave de ouro, por ser considerada ser a melhor música do Fragile Equality. Mesmo tendo feito um set curto, a banda pode mostrar um pouco mais de seu novo álbum e com certeza valeu a pena pra quem pagou pra ver, mesmo com todos os palavrões e indignação.

Mais 30min de espera, e finalmente às 22h30, sobe ao palco a última, mas não menos importante: Shaman. Com um número menor de pessoas (com certeza em decorrência do horário), Ricardo Confessori na bateria, Léo Mancini na guitarra e Fernando Quesada no baixo, começam a intro de "Turn Away". [Esta que voz escreve costuma não compartilhar opiniões nas resenhas, mas nesta terei que concordar que achei que seria um show "mais ou menos", tanto pelo horário, quanto pelo público e pelo cansaço do dia inteiro. Totalmente equivocada.] Thiago Bianchi entra no palco, agitando o público fiel e cantando com eles, terminando a música com um "Quantidade nunca foi qualidade, amigo". Seguindo com "Lethal Awakening" e a famosa "For Tomorrow", vieram como uma explosão aos presentes (música na qual tiveram que trocar às pressas, no meio dela, um amplificador de Léo Mancini que parou de funcionar, a tempo do solo!). Era visível a vontade dos músicos de mostrar ao pessoal que eles estavam lá por eles e pra eles, tocando ainda as mais recentes "Inferno Veil" e "Finally Home", contando com a participação do percussionista Guga Machado. Infelizmente com um set curto também, encerraram com a lendária "Fairy Tale", tendo o público cantando junto e aplaudindo muito ao final.

Os músicos se despediram da galera, agradecendo muito a presença e prometendo outras edições do festival, posaram para uma foto com os músicos que ainda estavam na casa (que, comparado ao número de bandas, foram pouquíssimos), assim fechando o evento mais falado das últimas semanas. Uma iniciativa digna de aplausos, com uma organização que soube resolver rápido os pequenos problemas que ocorreram. Que venham mais edições deste evento de metal nacional, seja com 400 ou 2.000 pessoas, será bem vindo e com certeza muito prestigiado por quem realmente tem no sangue e ama o estilo.
Agradecimentos:
Alessandra Martins, Snowman Produções, RockPress Brasil, Fusão.